terça-feira, 7 de dezembro de 2010

SEGURANÇA PÚBLICA,BASTA SER CIDADÃO

OPINIÃO
Valeu Tião Cidadão! - Por Gilberto Clementino dos Santos

A sociedade muda numa velocidade impressionante. Novas tecnologias são agregadas e todos têm que se adequar, impreterivelmente. São realidades até então inadmissíveis. De um momento para o outro: Tcham... Tcham... Tcham... Se ontem a gente estava no “carbono”, hoje digite enter e imprima em tempo real. Lá está a cópia tão desejada e fácil. Há quem diga “surreal”. Pronto: cópia e documento nas mãos. Até minha sobrinha reclama insatisfeita, com a demora em acessar determinado conteúdo: É no you tube, tio! É no you tube, tio! E olha que só tem três aninhos...

É por isso que me encantam os escândalos que pipocam na política brasileira. Vivo extasiado! Quando leio que o deputado usou indevidamente verba de gabinete para fazer turismo ou que a mansão de senador não está declarada no imposto de renda, passo a sonhar que as coisas podem mudar. Deus escreve certo por linhas tortas. De verdade, passo a acreditar mais no Brasil. Passo a sentir que “o rei está ficando desmascarado”. E me deixar levar pela euforia: “O rei está nu...”. Apenas, no aprendizado democrático a visão que estava completamente turva, os olhos que estavam tomados pela “catarata”, pela cegueira, começam a vicejar um Estado com respeito às leis e a ética. Um Estado, em que teremos condições de avançar, largando de vez a “máquina de escrever” do imobilismo cidadão e aderindo à velocidade dos mega bytes da decência e capacidade cognitiva para buscar uma nova ordem nacional.

E sabem de uma coisa: o tempo não para! E, bem dentro desse tema fui participar da Conferência Nacional de Segurança Pública e Cidadania, no Centro de Convenções de Vitória, em nosso Estado do Espírito Santo, por sugestão do amigo e presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Estado do Espírito Santo, Marcus Firme dos Reis. Que surpresa! Palestras sobre segurança pública e cidadania. Gente de todo o Brasil e representando vários segmentos sociais. Palestrantes do Brasil e do mundo. Que maravilha viver, como diz o mestre Hélio Fernandes. Lá estavam mães que perderam seus filhos por ações truculentas de policiais, mulheres vitimadas por maridos e companheiros, movimento negro, simpatizantes da causa gay, agentes de trânsito, guardas municipais, polícia militar, polícia federal, militares das forças armadas, servidores públicos, agentes públicos e vítimas em situações diversas.

A curiosidade era grande: você trabalha em que órgão? Também é da segurança pública? Qual o movimento social a que pertence? De que estado? Entre tantas e tantas perguntas. Uma Conferência, guardadas evidentemente as proporções, que se assemelhava ao plenário das Organizações das Nações Unidas, onde transitam homens e mulheres de toda parte do planeta.

O ponto alto da cidadania pode ser caracterizado pela presença de um lustre brasileiro. Negro, articulado, sem demérito ou preconceito algum aos brasileiros de todas as raças e gênero, produzia apartes insistentes, contudo pertinentes e acadêmicos. Exigia que a discussão envolvesse a transversalidade. Mas o que é isso? Exigia que a discussão envolvesse a intersetorialidade. Mas o que é isso? Transversalidade e intersetorialidade, juntos! Aí, foi à gota d’água!

Se esgueirando daqui e dali, num exercício prático de articulação entre sujeitos de setores sociais diversos, mesmo que “sem querer querendo”, no dizer do personagem Chaves, daquele seriado da televisão, participantes foram se chegando e se aproximando daquele cidadão negro, dando vida a uma organização didática de integração de temas convencionais de modo a o integrarem e ter vida em todos eles. Acontecia ali, ao vivo, o exercício em essência, da transversalidade e intersetorialidade. Mas restava saber quem ou de onde partira a inspiração didática para uma prática acadêmica e democrática de valor extraordinário.

De um lado e de outro: Gostei de seus apartes. O que acha da segurança pública. Resposta categórica: Não discuto segurança pública. Discuto política de segurança pública, dentro de um contexto de transversalidade e intersetorialidade. Agora a Conferência entrava em polvorosa!

Diante de órgãos e órgãos, instituições e instituições, a que setor da segurança pública ou atividade de cidadania pertenceria aquele moço? Não pertenço a nada, sou um brasileiro! E quem é você? Sou Tião, o cidadão!

Agora a Conferência atingia o nirvana, o cerne, a cidadania, a democracia participativa, cumprindo seu objetivo, graças a Tião. Mas que Tião? Simplesmente, Tião, o Tião cidadão.
Gilberto Clementino dos Santos
Graduado em Direito e Chefe do Núcleo de Disciplina da Superintendência Regional do DPF no Espírito Santo.
autor/fonte: Por Gilberto Clementino dos Santos
publicada em 24/06/2010



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